segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como comecei a tricotar


O tricô chegou na minha vida de mansinho. Bem por acaso. Nunca tinha pensado em aprender até me mudar para os Estados Unidos. Foi assim: enquanto desmontávamos a casa e arrumávamos as malas , dei uma busca no santo google à procura dos ateliês, lojas e cursos de costura que encontraria por perto. Aliás, é sempre assim. Se você me convidar para ir a algum lugar, a primeira coisa que eu vou fazer será checar onde vou achar linhas, agulhas, tecidos e _quem sabe_ alguma aula bacana. 

Para minha decepção, vi que o ateliê de costura mais próximo ficava em outra cidade. Mas, santo google me indicou uma loja/ escola de tricô. Bom, pensei: na falta da máquina, vamos ver se me encanto pelas lãs. E lá fui eu me matricular numa aulinha baby class para iniciantes. Comprei o material e fiquei ansiosa esperando o tal dia! 

20 de fevereiro de 2016. Eu, uma velhinha e duas gêmeas de 10 anos acompanhadas pela mãe. Gente! Queria pular da janela. A professora falava, repetia "cast on: put the yarn on your finger" e blá, blá, blá... Não entrava na minha cabeça. Para reduzir meu desconforto, eu olhava para o lado e conferia: opa! Não estou sozinha. Elas também estão devagar pra pegar. 

Na segunda aula eu já me sentia um pouco melhor. Não posso dizer que estava à vontade, mas pelo menos segurava as agulhas com menos medo. Olha! Quem é leitor aqui há mais tempo sabe que eu já me aventurei em diferentes tipos de trabalhos manuais. Além da costura de roupas, já fiz patchwork, bordado, encadernação, scrapbooking. Nenhum deles me causou essa sensação de "o que estou fazendo aqui?'', como o tricô.

Eu e meu tricô em frente a uma casa em Georgetown, o bairro universitário de Washington.

Teimosa (e já fisgada!) resolvi prosseguir. Paguei por mais um mês de aulas e pensei: vamos ver se sai um cachecol. Sim, o clássico primeiro projeto de toda aspirante às agulhas. Ah! De cara já amei olhar as lãs, perguntar sobre os animais de onde foram extraídas e o país origem de cada uma delas. Quanta informação! Um mundo novo se abria... 


Para o primeiro cachecol escolhi uma lã extra grossa italiana, branca. Era necessário só um novelo, uma agulha imensa _tamanho 17_ e um pouco de coragem. Ah! Importante. Era inverno. Como era agradável tocar na lã com a temperatura abaixo dos 10 graus! Outra descoberta: adorei quando percebi que bastava colocar meu material na bolsa e assim eu poderia trabalhar em qualquer lugar que estivesse! 

Em um almoço no restaurante Le Pain Cotidien, em Bethesda, com minha filha Alice. Enquanto a salada não chega, hora de papear e tricotar!

E assim, nos encontros às segundas-feiras, das 10 da manhã ao meio dia, eu fui me aproximando cada vez mais do tricô. Acabado o cachecol, fiz um xale vinho em uma lã peruana. Depois, um cinza. E me achei pronta para enfrentar algo mais ousado: meu primeiro suéter. Segui a dica da minha amiga Francine Lacerda (professora de costura e modelista de primeira, veja aqui!), que me recomendou este molde.

Alguém no instagram chegou a comentar se não seria demais da minha parte já querer passar para uma blusa... Pensei,  pensei... perguntei mais uma vez para a professora e segui minha intuição. Ué? Porque não tentar? O máximo que aconteceria seria perder uns dólares em 3 novelos de lã de ótima qualidade. Mas e daí? Não valeria a pena??

E por uns meses carreguei meus novelos azuis e as agulhas circulares para todos os lugares: no ônibus, no metrô, nos cafés, enquanto esperava Alice na porta da escola. Minha maior dificuldade era ter que aguardar até a próxima aula para tirar as muitas dúvidas com a professora. E tive que aprender a ter paciência para ver a peça crescer e tomar forma. 


Fiquei super feliz com o resultado! Feliz mesmo! Orgulhosa do caminho que eu e o tricô traçamos juntos.  Sinto-me também agradecida pelos encontros fortuitos que o destino me trouxe: a escola ao lado da minha casa (vou a pé até lá!), a professora Joanna tão carinhosa e paciente (a chamo de princess teacher!) e pela cabeça funcionando no meio de uma mudança de país. 

Meu suéter tem alguns erros, mas sou tolerante e me vejo como uma aprendiz. Quem está aprendendo erra, mas persiste. E diante disso já comecei minha segunda blusa.

Se você tem vontade de aprender a tricotar, inicie logo e persevere. Garanto que o resultado (mesmo que a peça não fique uma beleza) será maravilhoso para a sua auto estima. 



Tricot feito por mim. Calça também! Acho que agora preciso pensar em aprender a costurar sapatos! #brincadeira


Faça também! 
O molde desse suéter é o Arleen. Ele está a disposição de graça no site Raverly. Aqui está o link. Fiz o tamanho 2.

Usei 3 novelos da lã  americana , de Michigan, Shepherds Royal Blue. Aqui está o link da fazenda produtora lã. Mas, é claro, você pode usar outra lã de textura correspondente. Paguei U$ 13,50 em cada novelo.

Usei um par de agulhas circulares tamanho 8. 

Para o acabamento escolhi 5 botões de madeira.

Segundo a minha guru-professora Joanna, este é um molde excelente para quem quer começar a tricotar blusas (vai gente! façam e me contem). Ele é tricotado inteiro, por isso usei a agulha circular. Comecei pela gola, passei para a raglan e segui o corpo. Mangas, frentes e costas não precisarão ser costurados, o tricô já resolve tudo por si só.

Boa sorte! Coragem! 
Vamos tricotar?

3 comentários:

  1. Adorei a blusa parabéns você muito caprichosa e virtuosa.... me incentivou a tricotar .... e costurar.... beijssss

    Claudia Muniz
    casascomdetalhes.blogspot.com

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  2. Adorei a blusa parabéns você muito caprichosa e virtuosa.... me incentivou a tricotar .... e costurar.... beijssss

    Claudia Muniz
    casascomdetalhes.blogspot.com

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  3. Vivi, sou jornalista e conheci seu trabalho na GloboNews. Eu estava na redação e passava Estúdio I quando a Maria Beltrão perguntou com oq vc gostava de gastar seu dinheiro e vc disse tecidos. Foi assim que conheci seu blog, acredita?! . Parabéns pelo suéter! Está muito lindo, parece que você já tricota há anos. Abraços, Sarah

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Ei, estou curiosa para saber o que você achou. É só escrever aqui, clicar duas vezes, e postar... Vamos alinhavar este papo?