quinta-feira, 7 de abril de 2011

Direto de Paris: Dicas e Reflexões



Aposto como você já passou por isso: diante de uma lindeza recém-terminada, uma alma não-esclarecida te lança um olhar de.... pena.

Não é raro ver, no Brasil, tudo o que é feito à mão ser considerado "menor". Presentinho, bobaginha, um negocinho que você fez para economizar ao invés de comprar aquele lindo objeto de plástico industrializadíssimo, produzido em série, na vitrine do shopping famoso.

Aqui em Paris - e na Europa como um todo - o handmade é encarado de maneira bem diferente por um motivo simples: a cadeia produtiva de tudo o que se consome está bem presente na mentalidade das pessoas. Todo mundo tem plena consciência de que, ao consumir, você está fazendo uma escolha de vida.

Alimentação orgânica, objetos produzidos sem trabalho escravo e infantil ou ainda feitos em "escala humana", como eles dizem, são necessariamente mais valorizados do que qualquer coisa made in China.
A lógica é: ao comprar uma blusinha ou um lenço de uma grande marca globalizada você é cúmplice do capitalismo selvagem. E leva pra casa de brinde a culpa pelas horas suplementares de trabalho mal-pago das costureirinhas bolivianas. Ao consumir handmade acontece o contrário: você estimula o trabalho dignamente remunerado de alguém como você.

O efeito colateral mais do que óbvio disso é que o handmade, por consequência, acaba custando mais caro do que o produto industrializado. Às vezes muito mais caro.

Em Paris, pelo preço de uma blusinha handmade você pode comprar três, às vezes cinco outras da H&M - que estão longe de ser feias ou mal-feitas. Daí que os argumentos éticos perdem a força diante de uma carteira magrinha.
É quando entra em campo o outro argumento - muitas vezes decisivo: o handmade é exclusivo. É mais caro porque é ético, mas também porque é lindo - e diferente.

Comprar de uma pequena confecção é ter certeza de que você não vai entrar no metrô e dar de cara com alguém vestido exatamente como você. Numa cidade onde a onipresença de grandes redes como H&M, Ikea e Zara transforma todas as casas e guarda-roupas em clones uns dos outros, isso conta muito.


 
Está vindo para Paris e quer conferir alguns objetos fofos e exclusivos?
Les Fleurs: 6, passage Josset, 11ème.

Après la pluie: 65, rue Conorcet, 9ème.

Pop Market: 50, rue Bichat, 10ème.


Para quem quer aproveitar para encher a mala de matérias-primas:

Loisirs et création (scrap, desenho e pintura)

La droguerie (costura, tricô)

Marché Saint Pierre (tecidos, armarinho)

Tissus Reine (tecidos, armarinho)


O post de hoje foi escrito especialmente para o ateliê pela Carol Nogueira, do blog Le Croissant. Carol é jornalista, mora em Paris com o marido diplomata e seus lindos gêmeos. Além de escrever textos que me fazem pensar muito, ela também curte um craft. Tem máquina de costura e faz ilustras incríveis, como essa que aparece no começo do post. Sugiro uma visita no blog dela, mas vá preparada... A Carol é craque em dar um beliscão e nos fazer acordar pra vida! Obrigada pelo texto e pelas dicas, Carol!

Alguém aí está de malas prontas para Paris?

10 comentários:

  1. Oi Viviane,
    Adorei o post, muito bacana. Vou passar no blog da Carol, com certeza!
    Beijos!

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  2. Vivi
    Conheci o blog da Carol outro dia, acho que porque vc o mencionou por aqui. E adorei! É isso mesmo... não viu o último post da mamãe? Sobre a amiga que lançou um olhar maligno para um lindo trabalho dela em ponto de cruz e chamou aquilo de "perda de tempo"? Com certeza ela prefere ir ali à feirinha do Paraguai comprar algo made in China bem baratinho.
    Cada vez mais quero o handmade. Já estou fazendo as minhas próprias roupinhas. Cada vez menos as roupas (feitas em série e CARÍSSIMAS) do shopping me atraem.
    Beijão... saudade!!!
    Helena

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  3. ai, ai Vivi, minhas malas ainda não estão prontas, mas quando estiverem já tenho endereços para visitar né?
    E viva o handmade!!! V I V A!

    P.S: Estou louca por uma saia de corujas igual a sua! Handmade do bem né?

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  4. Ai Vivi, tenho vontade de mandar este texto para uma ex-empregadora que certa vez pegou um porta lenços que fiz como modelo e proposta de presente para o dia das mães e levou para uma fabriqueta que fez em menos tempo, pela metade do preço com tecidos bem inferiores e muito, mas muito menos bonito e bem feito...quando descobri só pude dize:"se tivesse sido feito por crianças exploradas custaria menos ainda". Nem precisa dizer que durou pouco a relação de trabalho depois disso, né :/ Mas estamos rumo a uma nova consciência. Eu quero acreditar.

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  5. Pode sorrir muito para Carol, elogiar suas belas ilustras e textos e dizer que seu pensamento revela muito o que nós crafteiras (como ela tbm!), vivemos e admiramos?

    Ótima reflexão! E viva o handmade! Quando a gente enxerga nossos produtinhos, únicos e elaborados com criatividade, com muito carinho e valor, nossa produção tem tudo para ser admirada! É sempre muito gostoso encontrar mais e mais pessoas que conseguem enxergar isso junto com a gente! Mas, percebo, em uma visão otimista, que cada vez mais, isso tem ganhado força! Afinal, é tão bom saber que algo foi feito para nós... Ou por nós!=)

    Ah! Descobri há bem pouco tempo o blog da Carol, de pulo em pulo, cheguei nesse post aqui: http://le-croissant.blogspot.com/2011/03/bem-na-hora.html

    Achei a frase + foto tão fofa e perspicaz!

    Muito legal compartilhar, Vivi! dorei o post! E que delícia saber dessas dicas! Já sabe que vou anotar tudinho e visitar por nós duas, né? Eba! Post favoritado para não deixar passar um só lugar!

    Um beijo pra vc,
    Ma

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  6. Vivi, as pessoas não entendem porque eu ando com bolsas feitas por mim mesma, de tecido ou de tricô. Acho que me acham exótica, porque deixo de usar uma de couro bem linda, mas que não combina comigo. Quem sabe um dia essa conciência europeia chega até aqui.
    Bju

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  7. Eeeeei, meninas! Tô super feliz que vocês gostaram do post que eu fiz especialmente pra vocês! Handmade! ;o)
    Mando um beijo pra todas!

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  8. Belas dicas, Viviane!
    Sei que sou chata - uma correção: O Après la pluie fica na Rue Condorcet (tem este link para uma reportagem sobre a inauguração da loja: http://www.dailyneuvieme.com/Apres-la-pluie--un-petit-tour-chez-Catherine-Huberty-Pigounides_a1943.html)
    Abraço da Cecilia.

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  9. Viviane concordo com você em genero, numero e grau. O que é feito a mão pelas pessoas queridas são sempre mais valiosas. Eu sempre gostei de dar lembranças para as pessoas que significassem algo, como um lembrança Feng Shui, uma receita com os ingredientes para o preparo. Gostaria mesmo de aprender a fazer o scrap, mas aqui ainda nem de longe chegou essa moda.
    Bjs Sucesso e felicidade sempre
    Denise

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  10. Minhas malas estão sempre prontas para Paris! amei seu blog e já sou sua seguidora!
    bjs Zí
    www.casadazi.blogspot.com

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Ei, estou curiosa para saber o que você achou. É só escrever aqui, clicar duas vezes, e postar... Vamos alinhavar este papo?