terça-feira, 14 de março de 2017

Encontro de Trico da Purl Soho






Se tem um programa que eu gosto nessa vida é aula, curso, palestra, workshop. Sempre fui assim. Adoro o processo todo: procurar os  cursos sobre os temas que eu me interesso, descobrir novos professores, fazer a inscrição, preparar o material.

Foi assim que eu aprendi encadernação, comecei a tricotar e costurei uma calça jeans. Quando soube que me mudaria para os Estados Unidos, meu primeiro pensamento costuristico foi: ah! Os cursos! Vou fazer todos que aparecerem pela frente. E não é que isso está acontecendo?

Costumo fazer assim: fico de olho em sites e no instagram em busca de novidades. Americanos são grande planejadores, por isso os cursos costumam ser anunciados com meses de antecedência. Em alguns casos, como no acampamento que participei no ano passado nas montanhas, em Upstate New York, as inscrições foram abertas quase 1 ano antes. Para voces terem uma ideia, as vagas para a edição de outubro de 2017 já estão esgotadas.









Imaginem minha empolgação quando soube que a Purl Soho organizaria o primeiro curso/ retiro da vida? A Purl Soho é velha conhecida das crafters pelo mundo. A loja, em New York, foi vanguardista ao apresentar um artesanato mais moderno. Há anos visito semanalmente o site deles. E caio de amores pelo projetos que estão lá. Aliás, esse foi um grande diferencial: ao oferecer dezenas de moldes gratuitos de tricô e costura, a Purl Soho criou uma comunidade que vai muito além dos clientes que compram no Soho ou na loja virtual. Tá tudo lá disponível e você pode reproduzir com os seus materiais, em qualquer lugar do mundo.

Tentei não criar muita expectativa. Sabia que seria algo bacana, mas tentei não esperar muito. Só fui informada que esse seria um curso diferente, pois eles nos avisaram que não aprenderíamos nenhuma técnica específica. Poderíamos levar qualquer projeto de tricô e simplesmente relaxar e tricotar em grupo ou aproveitar a oportunidade para tirar dúvidas com os professores que estariam à disposição. Bem... confesso que fiquei meio preocupada: não vou aprender nada?

O curso durou 3 dias e daí outra novidade: seria realizado em 3 lugares diferentes. A noite de abertura foi na loja. E hum... já começou com uma ótima surpresa! Tacinha de prosecco e um cartão presente com um dindin pra gente gastar lá. Tem jeito melhor de dar boas vindas?

A programação no sábado começou cedo. O ponto de encontro foi em um antigo prédio industrial em Williamsburg, no Brooklyn. Sabe essa decór da modinha com parede de tijolinho desgatada, canos aparentes, teto com estrutura de madeira aparecendo? Pois é, tinha tudo isso lá. Mas de verdade. Era velho e decadente mesmo. Amei. Parecia que eu estava em um cenario de filme.



O estilo contemporaneo do artesanato da Purl Soho ganhou meu coracao ha anos.




Ao abrirmos a porta, um salão imenso, com uma bela iluminação natural e uma cozinha em um canto. Mesas com toalha de linho (tem tecido mais Purl Soho do que linho?), louça e flores brancas. E mais mimos: uma cesta de palha recheada de presentes: 3 novelos de lã pura, uma loção espanhola, tesoura, agulhas, chocolate, livros sobre NY e tricô, caderno feito à mão.





Sentamos e começaram as palestras. Não sabia bem o que viria. Na primeira, as proprietárias fizeram uma longa exposição sobre a trajetória da loja, a evolução do site, as escolhas de cores, dos produtos.

Depois, um longo depoimento da designer Catherine Lowe. Foi aí que meu coração derreteu e fiquei de queixo caído. Lowe falou sobre uma pesquisa que  ela desenvolveu em um centro têxtil italiano, a Fondazione Lisio. O questão central do seu trabalho era: onde está o couture knitting, ou seja, o tricô considerado alta costura? Porque a história da moda fala tanto em vestidos de gala, rendas, mas não se considera o desenvolvimento do tricô?

A pergunta me deu um estalo! Um dia antes eu tinha visitado uma exposição no FIT, o Fashion Institute of Technology, sobre a moda francesa entre 1957 e 1968. Vi trabalhos belíssimos da Chanel,
Balenciaga, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent. Mas ué.. a Catherine Lowe tinha razão: não vi nada tricotado! Não é possível que ninguém tenha produzido tricôs de alto padrão nesse período.

Ela mostrou o longo processo que enfrenta para desenvolver os moldes e a dedicação para tricotar cada peça. Lowe disse que é contra quem tricota no metrô, no cinema ou assistindo televisão. Ela justificou que dificilmente os pontos serão mantidos com a mesma tensão desse jeito. Para ela é preciso foco total para chegar a um bom trabalho. Falou ainda que acredita que os pontos do trico refletem nosso humor: mais apertados quando estamos mais tensos, frouxos quando estamos relaxados. 

Discursou também sobre os cuidados que devemos ter com as peças prontas. Um tricô feito em lã pura vai durar décadas, mas depende da forma e a frequência que for lavado e como será usado. Avisou para evitarmos, por exemplo, de guardar blusas e cardigas no fundo da bolsa porque bolsa, ne? Ja sabem...


O dia já estava para lá de bom e ainda teve comida fresquissíma preparada por um chef enquanto ouvíamos a palestra (falei disso lá no instagram. Você viu?), chá, café e vinho branco. Alias, a comida foi algo pra la de especial neste encontro. E o jeito que foi feita _com calma, na nossa frente, por equipe enxuta, apenas ingredientes naturais_ tinha tudo a ver com a proposta do curso. 






O segundo dia do encontro foi no Sunday Supper Studio, em Williamsburg, no Brooklyn_ area que reune os artistas e os modernos de New York.


Sunday Supper kitchen em acao! Gastronomia e trico lado a lado.



TERCEIRO DIA

No domingo, mais palestra. E mais encanto. A designer Julie Hoover falou sobre como começou a tricotar (em 2008! Acreditam?). Disse que tudo aconteceu casualmente quando estava morando longe da familia e recebeu a visita da irma que a pediu para leva-la em uma loja de las. Resolveu experimentar e nunca mais parou. 

Julie Hoover também é fotografa de primeira e contou por meio de imagens seu processo criativo. Falou de como o estilo do seu tricô aparece em outros cantosda vida: no jeito que ela se veste, corta o cabelo, organiza a casa, cuida da família.  Ela mostrou essas relacoes com fotos e foi impressionante. Estava tudo lá! É o tal estilo pessoal que os americanos denominam muito bem de signature style.

Bem, lembram que os organizadores nos pediram para escolher um projeto? Na primeira noite eu decidi fazer uma touca (projeto gratuito no site da Purl Soho). Comprei as las e agulhas na loja e fui tricotando sem pressa durante as palestras. Foi a primeira vez que eu usei duas cores juntas. E o bacana e que o tempo todo contavamos com professores para tirar nossas duvidas. Conclusao: minha touca esta quase pronta. E eu agora posso dizer que sei fazer trico colorido...

E eu que achava que nao iria aprender nada... 



O terceiro dia do encontro foi no Saipua, floricultura modernex no Brooklyn.






Purl Soho designers palestrando. Quanta inspiracao...








A designer Catherine Lowe.


A designer Julie Hoover compara seu trabalho como fotografa e modelista. Observem as semelhancas nas cores e texturas.




A dupla que pilota a Purl Soho: Page e Joelle Hoverson com as designers convidadas Julie Hoover e Catherine Lowe.




Time de designers da Purl Soho. 


As meninas da Purl Soho trabalharam muito para que tudo saisse perfeito e mantiveram o bom humor do comeco ao fim do evento. Palmas para a linda da Alinne que organizou tudo. Ah! Posso te contar um segredo? Ela e brasileira! 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

E esse tal minimalismo? Funciona na vida de uma costureira?


É uma febre. Qualquer revista que você abra vai acabar encontrando umartigo sobre a tal vida minimalista. Pode ser na publicação semanal de notícias, na revista de decoração, no site de receitas culinárias e até nos almanaques de moda. Por todo lado, vemos dicas de como reduzir o guarda roupa, como acumular menos móveis e bibelôs, como cozinhar com menos panelas e por aí vai...

Agora, você, costureira amiga! Sim, vamos ter uma conversa sincera. Por favor, me conta. Como viver de um jeito minimalista quando você ama um craft? Olha, eu tenho tentado fazer a minha parte. Mas, esse é um desafio dos grandes.




Tudo começou quando decidimos mudar para os Estados Unidos. Não trouxemos mudança, então foi aquele drama: 2 malas para cada pessoa da família. Era o resumo do resumo, só os itens do coração. O que significou para mim escolher tecidos, botões, moldes e livros. Sim, eu deixei sapatos e calças jeans para ocupar meu precioso espaço na bagagem com materiais craft.

E ainda sobrou muito no meu quarto de costura_ uma quantidade exorbitante_ o suficiente para fazer um bazar e vender para os amigos. Confesso que fiquei assustada enquanto reunia os itens e colocava os preços. Pra que diaxos eu precisei comprar e acumular tanta coisa nos últimos 10 anos?

Bem, eu teria mil justificativas. Poderia fazer uma lista. Dizer que eu aproveitava promoçoes, que gostava de procurar novidades quando viajava (Hum! E ainda gosto), que morava longe dos armarinhos e por isso preferia o conforto de ter todas as variedades de botões e linhas nas minhas gavetas.

Vamos combinar? Loucura pura. Ou melhor, consumismo na veia. E o frustante é ver que com o tempo tecidos que significavam muito e pareciam os mais incríveis do mundo passam a ser feios. De tanto olhar aquelas cores e estampas, eles perdem o brilho_ ainda que continuem os mesmíssimos que saíram da loja.

Há 1 ano tenho tentado seguir uma nova direção. Por exemplo, no caso dos tecidos a regra é comprar e cortar. Mas nem sempre funciona. Continuo a boba que tem dó quando o tecido foi muito caro ou quando acha ele tão lindo que nenhum projeto é suficientemente adequado.

A pilha de moldes já cresceu de novo e muitos ainda estão na embalagem. Será que estou recomeçando a juntar, juntar, juntar?

Enfim, é uma eterna busca, um longo policiamento. Nessa América onde tudo é vendido e a indústria adivinha nossos desejos muito antes de sabermos que eles existem fica ainda mais complicado. Mas tenho tentado ver a situaçao pelo outro lado: penso que as mercadorias estao a distância de um número de cartão de crédito e um clique e mentalizo: nao faz nenhum sentido encher armários.

Avancei bastante, mas ainda há um longo caminho até alcançar a tal vida minimalista pregada nas revistas. Nessa minha nova fase, estou bem resolvida com a quantidade de pratos, louças, maquiagens e roupas.
Mas você, minha amiga costureira, vai me entender: quando o assunto é tecido, botão e linhas, o coração é mais fraco. Será que um dia eu chego lá? Sinceramente, lá no fundo, não sei se posso. Não sei se quero.

E você? É da turma do acumula? Ou já passou disso? Me conta???

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dicas para costurar malha ou moletom em casa



Tai uma pergunta que eu ouco de vez em quando (acompanhada de uma cara de espanto): mas como assim? Voce costura malha na maquina caseira? Outra questao bem comum: a sua maquina costura malha????

Ok! Vamos conversar um pouco sobre isso... Vou dividir em topicos para facilitar e se voces tiverem mais alguma duvida, por favor deixem nos comentarios para eu tentar ajudar, ok?

1. Cuidado na hora de escolher a malha. A variedade de texturas e caimentos e imensa. E isso fara toda diferenca no resultado da peca. Existem malhas leves, que lembram uma seda. Outras bem pesadas. Assim como nas roupas feitas em tecido plano, voce deve levar essa informacao em consideracao na hora de adequar o tecido ao projeto. 

Nas 2 fotos que ilustram esse post da para notar essa diferenca. Fiz a camiseta canoa listrada (ai como eu amo listras!!!!!) em uma malha de bambu levissima. Escolhi esse tipo de malha porque queria uma blusa mais fresquinha. E o molde pedia caimento mais solto. 

Ja o moletom bordado e outra historia. Um modelo quentinho, proprio para o inverno, com mangas raglan, punhos e barra na cintura feitos do proprio tecido. Esta na minha interminavel lista de projetos, mais uma versao desse mesmo molde, porem com mangas curtas, mais curto (o tal cropped!) e barra comum.

2. Experimente! Sugiro comecar pelas malhas mais grossinhas e menos elasticas, como a ponte roma. Elas sao mais firmes e mais faceis de controlar. Fuja no comeco das molengas ou super elasticas, como as lycras usadas em roupas de ginastica ou moda praia. 

3. A parte mais dramatica pode ser o corte. Cuidado porque o trem estica que e uma beleza e voce corre o risco de alterar demais o molde (Ui! Baixou meu lado das Minas Gerais! Sentiram o sotaque?). Muita calma nessa hora! Uma dica preciosa que facilita demais: substitua a tesoura por placa + cortador circular (a dupla de ferramentas indispensavel por quem faz patchwork). Voce vai ver que maravilha! O cortador e excelente para malhas. Vai por mim! 

4. Qualquer maquina de costura caseira pode ser usada para costurar malha ou moletom. Se voce tem overloque, otimo! Da para fechar todas as costuras nela. Se nao tem, nao sofra (e tambem nao desista). Qualquer maquina de costura caseira pode ser usada. Iuhuuu! 

Use somente a sua maquina comum, masssss... faca alguns ajustes. O mais importante deles: esqueca o ponto reto. Como a malha e um tecido com elasticidade, e bem provavel que a costura reta arrebente. Como resolver? Use o zig zag. Pegue um retalho para regular o ponto de forma que ele nao fique tao longo, nem tao curtinho. Pense que se ele ficar muito longo, a roupa ficara com mini buraquinhos. E se for apertado demais, a malha nao vai esticar. Use o bom senso! 

5. A linha pode ser a mesma que voce ja usa normalmente: de algodao ou poliester. A unica diferenca e a agulha. Troque por uma agulha propria_ conhecida como bola. Nao tem segredo. Garanto que e bem facil encontra-la para comprar em armarinhos e custa baratinho. Um cuidado que fara diferenca no acabamento. 

E nao deixe de me contar como foi sua experiencia. Deixe um recado aqui ou me encontre la no instagram: @ateliebasile


Beijos e boas costuras! 





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Jardineira ou salopete?

Tem hora que a gente encana com uma determinada peca de roupa. Agora, por exemplo, eu estou a procura de uma calca curta com barra larga, a tal pantacourt. Ja vi em algumas lojas, mas nada que me animasse a abrir a carteira. Acredito que logo, logo encontrarei um molde bacana, um tecido macio e farei uma pantacourt que me vestira bem. 

Foi a mesma historia com a jardineira, salopete, vestido... sei la como chama isso!! Ha muito tempo estava de olho em um modelo assim. Ate comprei no ano passado um bem lindo na Madewell (ai, Madewell! Como eu te amo...), mas ele e em jeans e bem cara da primavera-verao. Como moro  em Washington, nos Estados Unidos, janeiro pra mim e igual a frio, temperaturas negativas e alguns dias de neve (os meus favoritos!). 

Quando eu bati o olho no molde Cleo, da inglesa Tilly and The Buttons , pensei: Hum! Vai dar jogo com um veludo cotele! Eu sempre gostei e usei veludo. Aprendi com a minha mae. Mas nunca tinha costurado esse tipo de tecido.



Olha ai a costura no meio com pespontos! Quase nao da pra ver no veludo cotele. 

Vamos la... Sobre o modelo: a execucao do molde foi bem rapida. A frente e as costas tem uma costura no meio com pesponto. Nos meus dois vestidos (vamos chamar assim, ok?), nao da para reparar essa costura mas acho que ficaria bom em jeans e linha laranja (aquela linha propria para jeans, sabem?). 

A costura do centro da frente e a das costas e apenas decorativa. Acredito que nao mudaria nada na modelagem se eu tivesse cortado a frente dobrada formando uma so peca. Mas a gente nao  pode desperdicar a chance de dar uma incrementada, ne? Acho que deu um toque mais profissional. 




Sobre o tecido... Os dois vestidos sao de veludo, mas bem diferentes de manusear. O floral e um veludo bem leve, com listras (aquela textura natural do veludo cotele) bem estreitas. Foi otimo para cortar e costurar. Paguei menos de 4 dolares no metro em uma promocao na Joann (o melhor lugar para comprar tecidos por um bom preco). 

Ja o marrom e um veludo bem pesado, com listras mais espacadas. Foi mais chatinho para cortar, costurar na maquina reta e para passar a overloque nos acabamentos internos. No meio do processo ate achei que nao ia dar samba, mas amei o resultado. Comprei quando estive na Philadelphia para participar do curso da Madalynne. Paguei 10 dolares no metro. Levei tambem um corte preto. Estou em duvida se farei outro do mesmo modelo ou uma saia.

O charme desse modelo e o passador de metal e o botao. Foi facil achar o kit nos armarinhos. Para pregar esse tipo de botao voce tem que furar o vestido com um agulhao (um abridor de casas tambem funciona) e bater com um martelo. 


E nao e que ornou com a gola que eu tricotei???




Desde que ficaram prontos, tenho vestido quase todos os dias. E o acompanhamento perfeito para a blusa termica, a gola role e a meia calca de fleece. Por cima de tudo, claro, um big casacao!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Trico com amor: meu primeiro cardigan!


Em fevereiro completo 1 ano de namoro com o trico. E estou cada vez mais apaixonada. Foi 1 ano produtivo e de muito aprendizado. Ja contei por aqui que tudo aconteceu por uma serie de encontros felizes do acaso. O primeiro deles foi a coincidencia de ter uma loja/ escola pertissimo da minha casa. Caminho por uma rua cheia de casas lindas e la estou! Seria inevitavel nao experimentar. 

Alem disso, tive a sorte de encontrar com uma mestra paciente e segura. Ter um professor que inspira e algo que faz toda diferenca, certo?  Desde o primeiro dia, a Joanna, minha teacher, literalmente me deu a mao para que eu conseguisse acertar os pontos e defazer os erros.


As aulas sao semanais. Vou toda segunda de manha. Sou a mais jovem da minha turma (bonus! Vou la e me sinto num pote de Renew!). As outras alunas ja tricotam ha anos e levam projetos complicadissimos. Parte boa disso: passei a ver minhas dificuldades como bobagens que logo, logo serao ultrapassadas.

O fato de estar num momento de viver a vida com mais leveza e menos estresse refletiu no meu comportamento como aluna. Nao sinto mais aquele ansiedade que eu sentia para ver os projetos prontos. Vou a aula e aproveito minhas duas horas com calma, sem esperar que eu seja super produtiva. Trabalho e aos poucos o resultado vem.

Assim, comecei com um cachecol branco que ficou bem torto (mas eu me orgulho dele mesmo assim), fiz 2 xales (perdi infelizmente um deles em um uber na Philadelphia), duas toucas, uma blusa e arrisquei meu primeiro cardigan. O molde foi escolhido pela minha professora.

Fazer um presente `a mao e colocar um amor desmedido num objeto. No caso do trico e ainda mais intenso, afinal nao se tricota um casaquinho da noite para o dia. Eu, como sou iniciante, levei quase 2 meses para fazer o meu. Gosto de olhar esses registrinhos feitos com o celular e lembrar da la me acompanhando no metro, no cafe, enquanto eu esperava por alguem.

Tricotar no metro: o tempo passa voando!



Para meu orgulho, o cardigan ficou pronto a tempo. Fiz para presentear minha sobrinha Ana Basile, filha da minha parceira da vida Maila e do meu cunhado Felipe. Aninha completou 1 aninho e eu queria muito presentea-la com algo simples, mas significativo.




Pronto, lavado e perfumado! Hora de embalar.


Sobre os aspectos tecnicos: o molde parecia um bicho de 27 cabecas (sim, 7 seriam poucas) para a iniciante aqui, mas com a ajuda da minha professora (salve, salve Joanna, I love you!) foi possivel desvendar o misterio. Aprendi a diferenciar o ponto meia do ponto trico (sim, eu ainda confundia!), a fazer casas e o acabamento da frente.

Usei agulha circular numero 8. O fio e de algodao (sem nenhum componente sintetico), proprio para bebes e tem um toque bem macio. Evitei la porque ela mora em Brasilia e por la sao raros os dias frios.

Espero que sirva, a Aninha vista e se sinta tao feliz como eu me senti ao tricota-lo. E se nao servir, acho que ele ficaria bem bonito em um ursinho ou uma boneca. Que tal?

PS. Peco desculpas pela ausencia dos acentos. Ainda nao me entendi com esse teclado. Logo, logo espero voltar para corrigir.