domingo, 28 de junho de 2015

Patchwork ou retalho?


As colchas de retalho fazem parte das minhas primeiras lembranças. Quando eu era bem pequena, adorava me envolver nas colchas bem macias costuradas pela minha avó. Eu e meus pais íamos visitá-la na fazenda. E lá dormíamos num clima fresquinho, naquele casarão sem forro, onde fícavamos observando os detalhes das telhas até o sono chegar.  
 
Não exista placa de corte, régua especial, nem cortador. Tudo era feito só na tesoura. Ah! E ninguém nunca tinha ouvido falar em manta acrílica para rechear as colchas. O forro costumava ser de algodão cru. E depois de muitas lavagens a colcha era um conforto só.


A tradição foi passando para frente. E assim, dormimos em colchas feitas pela minha tia Mariana e pela minha mãe. Aliás, esse é um dos maiores prazeres quando visito meus pais. Lá sempre sou recebida com uma roupa de cama branquinha e perfumada. E na hora de dormir, minha mãe sempre me cobre com uma colcha de retalhos.


Na última vez que passamos um feriado na casa dos meus pais, tinha uma colcha nova na cama do meu filho Lucas. Obra da minha mãe para presenteá-lo.
 
E aí vem a parte mais emocionante de uma colcha de retalhos: olhei cada pedacinho e lembrei dos projetos que fiz. Tinha o restinho da calça de pijama de peixinhos, os tecidos que sobraram das oficinas que eu e a Maíla demos ateliê, os importados de carros que estavam encalhados no meu armário. Assim, a colcha além de aquecer meu filhote, também conta uma história_ como eram as colchas da minha avó que tinham retalhos dos tecidos das calças e camisas do meu avô.


É uma nostalgia boa. Um amor de família costurado ali_ quadrado por quadrado. Fiquei muito agradecida pela minha querida mãe ter tido o trabalho de fazer essa recordação para o netinho Lucas. E espero que essa mesma colcha embrulhe, um dia, também meus netos.
 
Obrigada pelo carinho, mãe.
Maria Antônia, te amarei para sempre.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Como é relaxante costurar papel!

 
Tá aí algo que me deixa baita feliz: costurar papel. Acho beeem mais relaxante do que costurar tecido. Quando minha cabeça está meio fora do lugar, já sei que o melhor a fazer é encadernar. Acho tão lúdico passar cola com o rolinho, fazer os acabamentos com pincel, medir com régua e marcar tudo à lápis. Lembra infância, primário, sala de aula, professora.
 
E por falar em professora, aproveitei uma visita da minha sogra aqui em Brasília para reunir o trio de meninas Basile para uma aula particular aqui no ateliê com a profe Tê Pires. Eu, a Maíla e Beth passamos uma manhã muito gostosa ao lado da Teresa!
 

Nosso desejo era aprender a costura copta. Os cadernos feitos com essa técnica não tem lombada (lindeza!) e o trançado das linhas fica aparente, como um bordado. Daí, há muito tempo eu e a Maíla namorávamos a tal da copta. Para nós, era um mistério como amarrar os cadernos assim. Só tínhamos ouvido falar que era necessário usar 4 agulhas ao mesmo tempo e isso nos dava #medo, #muitomedo.


 A Tê Pires tem uma didática ótima. E com um saltinho daqui, uma costura torta de lá, logo compreendemos o processo e nasceram 3 cadernos. Ficamos tão empolgadas que no mesmo dia, eu, Beth e Ma nos reunimos de novo para costurar mais! O resultado está aí!


Pra quem se interessou, a Teresa dá aulas particulares aqui em Brasília. Se você mora em outra cidade ou país, mas tem vontade de encadernar, não desanime! Ela tem cursos online no site Eduk. Eu ainda não testei as aulas virtuais, mas estou morrendo de vontade!
 
Ah! E ela ainda tem uma loja virtual de carimbos de ba-barrrrrr!!!


sábado, 20 de junho de 2015

A história da moda em 2 minutos


Vídeo sensacional que resume 100 anos de moda em 2 minutos. Na vida dos sonhos: meus estilos favoritos são os das décadas de 50 e 60. Na vida real: ao assistir lembrei mesmo foram de muitas peças que fizeram parte do meu guarda roupa nos anos 90, 2000 e 2015. Quem não tem um um jeans rasgado hoje em dia? Vale a pena parar pra assistir!
 
Bom sábado!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Meu estilo: vovó style!


Os manuais com pitacos para agregarmos mais estilo ao nosso guarda roupas proliferam por aí... Tem livro, blog, revista. Por muitos anos, eu consumi e tentei seguir todas essas dicas. Não vou dizer que foi em vão. Aprendi bastante a entender o meu corpo e tentar favorece-lo. Mas, cansei.
 
Diante desse clima de liberou geral, acho que o mais importante é cada um buscar o que lhe cai bem, traz conforto e um pouco de alegria. Mesmo ao vestir uma roupa séria dá pra gente se divertir um pouco. É assim que eu me sinto quando visto as peças feitas por mim. Até um vestido sisudo (como esse das fotos) me faz rir _ seja porque me traz lembranças da escolha do tecido, dos comentários da minha mãe (ela fala que eu pareço a minha avó com esses vestidos de velhinha!) ou dos erros enquanto costurava.
 
Já tentei ser mais moderna, mas não tem jeito: saias curtas e decotes não combinam com a minha personalidade. Não gosto, não visto e pronto! Também não sou muito de brilho, nem visto calça extra justa. Gosto de me sentir solta, sem nada pegando no quadril ou no busto. E daí vem algo mágico do mundo da costura: a oportunidade única de apertar daqui e soltar de lá. A chance de reproduzir o mesmo molde várias vezes: com golas, tipos de tecidos e acabamentos diferentes.
 
Este vestido foi feito a partir do molde Françoise (à venda aqui) da inglesa que sempre falo, a Tilly and The Buttons. Já fiz um azul marinho e outro cinza. O marrom que aparece nesse post é de lã. Minha intenção era deixá-lo pronto para a viagem a Londres no começo do ano, mas não consegui terminar a tempo. Sem problemas! Está sendo bem aproveitado nesse friozinho que está fazendo em Brasília.

O tecido é da Mariana Tecidos e a fivela é da Liberty London.

domingo, 14 de junho de 2015

Só criança brinca de boneca?

Já passei dos 30 faz tempo... Sou mãe de duas crianças e pelas regras impostas pela vida, não deveria mais brincar de bonecas. Adultos são feitos para trabalhar, pensar em como ganhar dinheiro, devem ser ambiciosos profissionalmente e só dar gargalhadas depois de beber um pouco. Certo? Não para mim. Minha busca é por um cotidiano mais leve. E se costurar, recortar papéis coloridos, escrever cartões para minhas amiga e brincar de bonecas me ajuda a alcançar essa meta, eu topo. Mesmo que me chamem de ridícula.




Dia desses tive um fim de tarde encantado com tudo que faria qualquer criança feliz. Coca-Cola, bolo de chocolate transbordando cobertura, sentada num banco ao ar livre, com céu azulzinho e pôr sol amarelado_ daquele jeito que o povo do cinema chama de "hora mágica". Poderiam ser 3 meninas brincando de boneca: eu, Ruby Fernandes e Lou Grimes.
 
Li uns livros de psicologia que dizem que retornar aos hábitos que nos faziam bem na infância pode ser uma forma de trazer calma e ordem para a loucura da vida de gente grande. Não sei se é só teoria, mas não custa tentar. E a mera tentativa já me deixa bem. Fiquei animada a semana toda pensando no dia desse encontro. Vesti meu vestido costurado por mim, embalei mimos para as meninas, enchi minha alma de paz e energia e fui.  


O encontro foi marcado para a Lou me entregar a Blythe que eu comprei dela. Há anos eu sonhava em comprar uma boneca dessa e, por muitos motivos, adiei esse desejo de consumo. Em 2010, contei a história das Bltyhes e a minha vontade de ter uma. Está AQUI.  


 
A Blythe é boneca para adulto. E o bacana é que Lou é especialista em deixá-la do jeito que você quiser. Ela é uma customizadora de Blythes. E, sim, acredite, isso é profissão. Só no ano passado a Lou customizou mais de 200 bonecas que vieram do mundo todo para a casa dela pelos Correios e foram devolvidas maquiadas, com cabelos coloridos, com olhos exóticos. Há até lista de espera para quem quer ter uma boneca exclusiva.
 
É um trabalho artístico delicadíssimo. Ela lixa os rostos e pinta tudo à mão. Todas as bonecas são assinadas, numeradas e nenhuma é igual a outra. No site dela estão registradas 266 dolls. Cada uma com uma personalidade. A minha está lá.


 
Voltei para casa toda contente com minha Blyhe na mão. Cheguei, abri o pacote e mostrei para minha filha Alice, que nem deu muita bola. Olhou sem demonstrar o menor interesse (ufa!). Tem brincadeira de criança que só acalma coração de adulto mesmo.
 





Fotos: Viviane Basile (apenas as duas primeiras imagens)
            Ruby Fernandes


domingo, 31 de maio de 2015

Dentro da minha caixa de costura há amor...

 
Não canso de repetir que a costura é uma benção na minha vida. É o meu momento de relaxar, trabalhar a criatividade, fazer planos e novos amigos. Em meio a panos e linhas, conheci muita gente bacana. Pessoas que só cruzaram meu destino por causa da afinidade com as agulhas. A Helena Guerra Vicente é uma delas.
 
Nos conhecemos na internet. Uma comentava no blog da outra até que um dia resolvemos marcar um encontro. A Helena foi costurar lá em casa e parecia que a gente já se conhecia há décadas. Não faltou assunto, não teve timidez. Depois, os maridos se conheceram, os filhos juntaram pra brincar e por aí foi.
 

A Helena esteve comigo na minha gravidez, me visitou no hospital no dia que a Alice nasceu, me deu uma força quando eu adoeci. Ela sempre tem conselhos precisos e boas risadas.
 
Acredito que a admiração é o primeiro passo para uma amizade dar certo. Admiro imensamente a Helena. No começo, pelas costuras mais do que perfeitas (vejam aqui!), os quilts coloridos, as necessaires sempre diferentes. Depois que nos conhecemos melhor, passei a admirar pelo currículo mega-master-plus de doutora em Linguística (sim, podemos chamá-la de Dra. Helena) que apresenta trabalhos em Veneza-Chicago-San Diego (sério, baba gente!).




Esse registro fotográfico foi feito pela querida Ruby Fernandes e retrata um encontro dia desses. Teve abraço esmagante e pacotinho lindo... feito com o maior capricho pela Helena. Dentro, uma bolsa Baldinho bordada à mão, cheia de detalhes mais do que encantadores.  





E dentro da bolsa, um mimo em ponto de cruz bordado pela Cecília, a mãe da Helena. O talento na casa dos Guerra Vicente vem de berço. E eu sou agradecida por ser sempre mimada pelas duas. Por isso, posso dizer que dentro da minha caixa de costura há amor.
 


sábado, 16 de maio de 2015

Roupa para Super Heroína Favorita


Sempre sonhei em ter uma boneca chamada Alice. E fico derretida de alegria quando ela pede para vestir as roupinhas que costuro para ela. Este vestidinho cai muito bem , por isso, já fiz vários: com estampa de corujas, de galinhas e de florzinhas. Tenho planos ainda para fazer um de raposas e outro de coelhos.


Minha Alice faz o tipo princesa moderna. Gosta da Bela Adormecida, da Branca de Neve e da Cinderela, mas também se diverte com dragões, espadas, bola, bonecos da coleção medieval do Playmobil e curte montar Lego com o irmão.


Alice é tagarela. Inventa histórias em que sou uma rainha (gosto muito dessa parte!), canta as músicas do filme Annie e quase nunca perde o bom humor.
 
Ela também é gulosa! Ataca o macarrão, o arroz com feijão, a pizza, a maçã que está no prato da babá, a tapioca do café da manha saudável da mamãe, mas foge do suco de verde.

 
Alice gosta de arrumar a mala e viajar. Fica comportadinha no avião e se interessa por conhecer lugares novos. Mas, tenho certeza que seu lugar favorito no mundo ainda é a caminha quentinha e bagunçada da mamãe.