quinta-feira, 20 de abril de 2017

E por falar em saudade.....


Ah, ela demorou para chegar. Para ser bem exata: 1 ano e 3 meses. Parecia nem existir. Mas nos ultimos dias ela apareceu e veio arrebatadora. Sim, a tal da saudade tomou conta de mim. Tenho sentido falta do colo da minha mae, do suco de limao mega adocado feito pela Neuza (sim, aqui existe limao em qualquer esquina, mas nao e o suco da Neuza!), do churrasco exagerado do meu pai, de passar calor em Buritis, de sair para jantar sem pressa com o marido (aqui sempre as kids vao no pacote), de almocar tarde com as amigas tomando Bellini.  

E ai o jeito foi revirar o HD e relembrar o passado revendo os cliques. E nao e que no meio de tantos registros, acabei revivendo uma tarde deliciosa de costuras e energia positiva? 

As fotos sao lindas e resumem exatamente o que eu sinto falta morando fora do Brasil: cumplicidade, risada sem medida, conversa informal, quebra de protocolo e aquele cliche " a festa nao tem hora pra acabar".





Essa e a maravilha da fotografia: ajudar a mente a reter cada detalhe de um momento desfeito. Nesse dia de encantos em Joinville, Santa Catarina,  na casa da Bela Murakami, a Cha de Baunilha, eu, Bela e Ruby Fernandes nem lembramos do celular, mas sacamos nossas cameras tradicionais e nos divertimos com algo que apreciamos muito: eternizar o que vivemos pelas nossas lentes.



Diante das fotos, nao ha muito o que escrever. Elas contam com perfeicao como foi o dia: um almoco frugal entre amigas, um brinde com uma bela taca de vinho, uma tarde de corte e costura, afinal esse foi o nosso primeiro elo! Ah! E no auge da explosao criativa, demos muitas risadas e clicks enquanto brincamos de vestir a Ruby de modelo em uma mini sessao estilo editorial de revista.



























+ Para admirar os clicks profissionais da Ruby, acesse aqui: www.rubyfernandes.com.br . Sim! Sou amiga orgulhosa que faz questao de espalhar  aos 4 ventos como e delicado o trabalho da Ru! Vai la e depois me conta se eu nao tenho razao.

terça-feira, 14 de março de 2017

Encontro de Trico da Purl Soho






Se tem um programa que eu gosto nessa vida é aula, curso, palestra, workshop. Sempre fui assim. Adoro o processo todo: procurar os  cursos sobre os temas que eu me interesso, descobrir novos professores, fazer a inscrição, preparar o material.

Foi assim que eu aprendi encadernação, comecei a tricotar e costurei uma calça jeans. Quando soube que me mudaria para os Estados Unidos, meu primeiro pensamento costuristico foi: ah! Os cursos! Vou fazer todos que aparecerem pela frente. E não é que isso está acontecendo?

Costumo fazer assim: fico de olho em sites e no instagram em busca de novidades. Americanos são grande planejadores, por isso os cursos costumam ser anunciados com meses de antecedência. Em alguns casos, como no acampamento que participei no ano passado nas montanhas, em Upstate New York, as inscrições foram abertas quase 1 ano antes. Para voces terem uma ideia, as vagas para a edição de outubro de 2017 já estão esgotadas.









Imaginem minha empolgação quando soube que a Purl Soho organizaria o primeiro curso/ retiro da vida? A Purl Soho é velha conhecida das crafters pelo mundo. A loja, em New York, foi vanguardista ao apresentar um artesanato mais moderno. Há anos visito semanalmente o site deles. E caio de amores pelo projetos que estão lá. Aliás, esse foi um grande diferencial: ao oferecer dezenas de moldes gratuitos de tricô e costura, a Purl Soho criou uma comunidade que vai muito além dos clientes que compram no Soho ou na loja virtual. Tá tudo lá disponível e você pode reproduzir com os seus materiais, em qualquer lugar do mundo.

Tentei não criar muita expectativa. Sabia que seria algo bacana, mas tentei não esperar muito. Só fui informada que esse seria um curso diferente, pois eles nos avisaram que não aprenderíamos nenhuma técnica específica. Poderíamos levar qualquer projeto de tricô e simplesmente relaxar e tricotar em grupo ou aproveitar a oportunidade para tirar dúvidas com os professores que estariam à disposição. Bem... confesso que fiquei meio preocupada: não vou aprender nada?

O curso durou 3 dias e daí outra novidade: seria realizado em 3 lugares diferentes. A noite de abertura foi na loja. E hum... já começou com uma ótima surpresa! Tacinha de prosecco e um cartão presente com um dindin pra gente gastar lá. Tem jeito melhor de dar boas vindas?

A programação no sábado começou cedo. O ponto de encontro foi em um antigo prédio industrial em Williamsburg, no Brooklyn. Sabe essa decór da modinha com parede de tijolinho desgatada, canos aparentes, teto com estrutura de madeira aparecendo? Pois é, tinha tudo isso lá. Mas de verdade. Era velho e decadente mesmo. Amei. Parecia que eu estava em um cenario de filme.



O estilo contemporaneo do artesanato da Purl Soho ganhou meu coracao ha anos.




Ao abrirmos a porta, um salão imenso, com uma bela iluminação natural e uma cozinha em um canto. Mesas com toalha de linho (tem tecido mais Purl Soho do que linho?), louça e flores brancas. E mais mimos: uma cesta de palha recheada de presentes: 3 novelos de lã pura, uma loção espanhola, tesoura, agulhas, chocolate, livros sobre NY e tricô, caderno feito à mão.





Sentamos e começaram as palestras. Não sabia bem o que viria. Na primeira, as proprietárias fizeram uma longa exposição sobre a trajetória da loja, a evolução do site, as escolhas de cores, dos produtos.

Depois, um longo depoimento da designer Catherine Lowe. Foi aí que meu coração derreteu e fiquei de queixo caído. Lowe falou sobre uma pesquisa que  ela desenvolveu em um centro têxtil italiano, a Fondazione Lisio. O questão central do seu trabalho era: onde está o couture knitting, ou seja, o tricô considerado alta costura? Porque a história da moda fala tanto em vestidos de gala, rendas, mas não se considera o desenvolvimento do tricô?

A pergunta me deu um estalo! Um dia antes eu tinha visitado uma exposição no FIT, o Fashion Institute of Technology, sobre a moda francesa entre 1957 e 1968. Vi trabalhos belíssimos da Chanel,
Balenciaga, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent. Mas ué.. a Catherine Lowe tinha razão: não vi nada tricotado! Não é possível que ninguém tenha produzido tricôs de alto padrão nesse período.

Ela mostrou o longo processo que enfrenta para desenvolver os moldes e a dedicação para tricotar cada peça. Lowe disse que é contra quem tricota no metrô, no cinema ou assistindo televisão. Ela justificou que dificilmente os pontos serão mantidos com a mesma tensão desse jeito. Para ela é preciso foco total para chegar a um bom trabalho. Falou ainda que acredita que os pontos do trico refletem nosso humor: mais apertados quando estamos mais tensos, frouxos quando estamos relaxados. 

Discursou também sobre os cuidados que devemos ter com as peças prontas. Um tricô feito em lã pura vai durar décadas, mas depende da forma e a frequência que for lavado e como será usado. Avisou para evitarmos, por exemplo, de guardar blusas e cardigas no fundo da bolsa porque bolsa, ne? Ja sabem...


O dia já estava para lá de bom e ainda teve comida fresquissíma preparada por um chef enquanto ouvíamos a palestra (falei disso lá no instagram. Você viu?), chá, café e vinho branco. Alias, a comida foi algo pra la de especial neste encontro. E o jeito que foi feita _com calma, na nossa frente, por equipe enxuta, apenas ingredientes naturais_ tinha tudo a ver com a proposta do curso. 






O segundo dia do encontro foi no Sunday Supper Studio, em Williamsburg, no Brooklyn_ area que reune os artistas e os modernos de New York.


Sunday Supper kitchen em acao! Gastronomia e trico lado a lado.



TERCEIRO DIA

No domingo, mais palestra. E mais encanto. A designer Julie Hoover falou sobre como começou a tricotar (em 2008! Acreditam?). Disse que tudo aconteceu casualmente quando estava morando longe da familia e recebeu a visita da irma que a pediu para leva-la em uma loja de las. Resolveu experimentar e nunca mais parou. 

Julie Hoover também é fotografa de primeira e contou por meio de imagens seu processo criativo. Falou de como o estilo do seu tricô aparece em outros cantosda vida: no jeito que ela se veste, corta o cabelo, organiza a casa, cuida da família.  Ela mostrou essas relacoes com fotos e foi impressionante. Estava tudo lá! É o tal estilo pessoal que os americanos denominam muito bem de signature style.

Bem, lembram que os organizadores nos pediram para escolher um projeto? Na primeira noite eu decidi fazer uma touca (projeto gratuito no site da Purl Soho). Comprei as las e agulhas na loja e fui tricotando sem pressa durante as palestras. Foi a primeira vez que eu usei duas cores juntas. E o bacana e que o tempo todo contavamos com professores para tirar nossas duvidas. Conclusao: minha touca esta quase pronta. E eu agora posso dizer que sei fazer trico colorido...

E eu que achava que nao iria aprender nada... 



O terceiro dia do encontro foi no Saipua, floricultura modernex no Brooklyn.






Purl Soho designers palestrando. Quanta inspiracao...








A designer Catherine Lowe.


A designer Julie Hoover compara seu trabalho como fotografa e modelista. Observem as semelhancas nas cores e texturas.




A dupla que pilota a Purl Soho: Page e Joelle Hoverson com as designers convidadas Julie Hoover e Catherine Lowe.




Time de designers da Purl Soho. 


As meninas da Purl Soho trabalharam muito para que tudo saisse perfeito e mantiveram o bom humor do comeco ao fim do evento. Palmas para a linda da Alinne que organizou tudo. Ah! Posso te contar um segredo? Ela e brasileira!