domingo, 4 de setembro de 2016

Vamos dar um UP na criatividade!

Minha amiga criativa Bela @chadebaunilha

Tem hora que parece que ela vem com tudo! Normalmente isso acontece comigo depois de ler uma revista inspiradora, como a Mollie Makes (o site também é incrível. Entre aqui e sonhe comigo!), a Flow e a brasileira Make. Ou depois de visitar a casa de uma amiga que é extra cuidadosa com detalhes, cheiros (uma vela perfumada tem o seu valor, hein?) e objetos feitos à mão. Tô falando aqui daquelas casas super arrumadinhas que te inspiram a dar uma geral e deixar seu lar ainda mais fofis. E daquelas que tem livros, prato de sopa e almofadas fora do lugar e cara de bem vivas. 

A casa da minha orientadora da tese de mestrado era assim: cheia (cheia mesmo) de plantas, com um pedaço de piano que servia como estante (o piano molhou numa enchente, ficou só uma parte que foi espertamente aproveitada na decoração), recordações das várias cidades onde ela morou. Eu ia lá para ela me indicar as alterações que precisariam ser feitas no texto da tese (ô fase dura!) e tinha que me esforçar para não fuxicar tanta coisa interessante no teto, chão e paredes! Voltava pra casa doida pra fazer umas intervenções na minha casinha também.

O problema é que tem períodos que a tal da criatividade nos abandona, entra num buraco negro e nos deixa numa solidão danada. Você abre o armário, olha aquela montanha de materiais em casa e não sabe por onde começar. Ou melhor, até sabe. Pega um molde, um projeto de um site bacana, mas a coisa não anda. Que atire o primeiro novelo que nunca passou por isso! 

Pra essas fases de estagnação em que apenas procrastinamos os trabalhos manuais, reuni alguns passos que podem ajudar a dar um UP na criatividade.


1. Vamos começar pelo óbvio: quarto de costura organizado. Nem me venha com esse papo que você se encontra na sua bagunça. Bora! Coragem para separar tecidos por cores, metragens ou tipos, para lavar os pincéis, para arrumar os papéis de scrapbooking. No início o mal humor pode te dominar. Ligue uma música e encare. Este pode ser um ótimo jeito de resolver dois problemas numa tacada só: enquanto deixa tudo no lugar, reflete sobre cores, texturas e moldes. 

2. Chega dessa palhaçada de guardar os melhores tecidos, ou lãs, para "um dia". Um dia usarei esse Liberty que comprei em Londres e paguei os olhos da cara. Um dia vou costurar meus botões mais coloridinhos. Um dia vou ter coragem de cortar esses papéis maravilhosos de scrap. E esse tal dia perfeito nunca chega. E os materiais ficam lá mofando na gaveta. E aí quando você, enfim, resolve usar, cai na real que já enjoou e que a fase paixão passou. Vai, usa! Corta, cola, costura. Beleza chama beleza. Não é assim?

3. Encontre-se com outras crafters. Saia para tomar um café, troquem livros, compartilhem blogs que gostam. E olha, você não precisa conhecer pessoalmente (ainda!). Sabe aquela pessoa bacana que você segue no insta e mora na sua cidade? Vai! Mande uma direct message. Convide-a para almoçar num lugar bacana. Aposto que você não vai ficar sem graça porque não faltará assunto entre vocês. Já conheci tanta gente legal desse jeito. É! Se quiser, você pode chamar de "o jeito cara de pau", but funciona. 

4. Tá! Se você é mais tímido pode se inscrever num curso. Aula é sempre bom. Mesmo aula do que você já acha que sabe. Tem sempre um jeito diferente de dar aquele ponto, de fazer um acabamento. E de quebra tem os colegas. Pergunte a eles, não só ao professor. Pergunte onde compram aviamentos, como dividem o tempo quando estão no meio de projeto. Usam um dia só para cortar? Já overlocam antes de começar a unir as peças? Todo mundo tem um truque para compartilhar. 

5. Crie pequenos rituais antes-durante-pós seus trabalhos manuais. Eles podem servir como um click para o seu cérebro. Para alguns pode ser uma oração, um agradecimento pelo seu talento, pelo seu dom, pelas habilidades já existentes e as que você sabe que tem capacidade de adquirir caso se esforce. Peça coragem para encarar os erros e para descosturar o que ficou mal feito (não deixe feio, desfaça até ficar jóia). No fim, arrume a mesa e encare a realidade!! A história de "quem espera sempre alcança" não funciona no mundo craft! 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como comecei a tricotar


O tricô chegou na minha vida de mansinho. Bem por acaso. Nunca tinha pensado em aprender até me mudar para os Estados Unidos. Foi assim: enquanto desmontávamos a casa e arrumávamos as malas , dei uma busca no santo google à procura dos ateliês, lojas e cursos de costura que encontraria por perto. Aliás, é sempre assim. Se você me convidar para ir a algum lugar, a primeira coisa que eu vou fazer será checar onde vou achar linhas, agulhas, tecidos e _quem sabe_ alguma aula bacana. 

Para minha decepção, vi que o ateliê de costura mais próximo ficava em outra cidade. Mas, santo google me indicou uma loja/ escola de tricô. Bom, pensei: na falta da máquina, vamos ver se me encanto pelas lãs. E lá fui eu me matricular numa aulinha baby class para iniciantes. Comprei o material e fiquei ansiosa esperando o tal dia! 

20 de fevereiro de 2016. Eu, uma velhinha e duas gêmeas de 10 anos acompanhadas pela mãe. Gente! Queria pular da janela. A professora falava, repetia "cast on: put the yarn on your finger" e blá, blá, blá... Não entrava na minha cabeça. Para reduzir meu desconforto, eu olhava para o lado e conferia: opa! Não estou sozinha. Elas também estão devagar pra pegar. 

Na segunda aula eu já me sentia um pouco melhor. Não posso dizer que estava à vontade, mas pelo menos segurava as agulhas com menos medo. Olha! Quem é leitor aqui há mais tempo sabe que eu já me aventurei em diferentes tipos de trabalhos manuais. Além da costura de roupas, já fiz patchwork, bordado, encadernação, scrapbooking. Nenhum deles me causou essa sensação de "o que estou fazendo aqui?'', como o tricô.

Eu e meu tricô em frente a uma casa em Georgetown, o bairro universitário de Washington.

Teimosa (e já fisgada!) resolvi prosseguir. Paguei por mais um mês de aulas e pensei: vamos ver se sai um cachecol. Sim, o clássico primeiro projeto de toda aspirante às agulhas. Ah! De cara já amei olhar as lãs, perguntar sobre os animais de onde foram extraídas e o país origem de cada uma delas. Quanta informação! Um mundo novo se abria... 


Para o primeiro cachecol escolhi uma lã extra grossa italiana, branca. Era necessário só um novelo, uma agulha imensa _tamanho 17_ e um pouco de coragem. Ah! Importante. Era inverno. Como era agradável tocar na lã com a temperatura abaixo dos 10 graus! Outra descoberta: adorei quando percebi que bastava colocar meu material na bolsa e assim eu poderia trabalhar em qualquer lugar que estivesse! 

Em um almoço no restaurante Le Pain Cotidien, em Bethesda, com minha filha Alice. Enquanto a salada não chega, hora de papear e tricotar!

E assim, nos encontros às segundas-feiras, das 10 da manhã ao meio dia, eu fui me aproximando cada vez mais do tricô. Acabado o cachecol, fiz um xale vinho em uma lã peruana. Depois, um cinza. E me achei pronta para enfrentar algo mais ousado: meu primeiro suéter. Segui a dica da minha amiga Francine Lacerda (professora de costura e modelista de primeira, veja aqui!), que me recomendou este molde.

Alguém no instagram chegou a comentar se não seria demais da minha parte já querer passar para uma blusa... Pensei,  pensei... perguntei mais uma vez para a professora e segui minha intuição. Ué? Porque não tentar? O máximo que aconteceria seria perder uns dólares em 3 novelos de lã de ótima qualidade. Mas e daí? Não valeria a pena??

E por uns meses carreguei meus novelos azuis e as agulhas circulares para todos os lugares: no ônibus, no metrô, nos cafés, enquanto esperava Alice na porta da escola. Minha maior dificuldade era ter que aguardar até a próxima aula para tirar as muitas dúvidas com a professora. E tive que aprender a ter paciência para ver a peça crescer e tomar forma. 


Fiquei super feliz com o resultado! Feliz mesmo! Orgulhosa do caminho que eu e o tricô traçamos juntos.  Sinto-me também agradecida pelos encontros fortuitos que o destino me trouxe: a escola ao lado da minha casa (vou a pé até lá!), a professora Joanna tão carinhosa e paciente (a chamo de princess teacher!) e pela cabeça funcionando no meio de uma mudança de país. 

Meu suéter tem alguns erros, mas sou tolerante e me vejo como uma aprendiz. Quem está aprendendo erra, mas persiste. E diante disso já comecei minha segunda blusa.

Se você tem vontade de aprender a tricotar, inicie logo e persevere. Garanto que o resultado (mesmo que a peça não fique uma beleza) será maravilhoso para a sua auto estima. 



Tricot feito por mim. Calça também! Acho que agora preciso pensar em aprender a costurar sapatos! #brincadeira


Faça também! 
O molde desse suéter é o Arleen. Ele está a disposição de graça no site Raverly. Aqui está o link. Fiz o tamanho 2.

Usei 3 novelos da lã  americana , de Michigan, Shepherds Royal Blue. Aqui está o link da fazenda produtora lã. Mas, é claro, você pode usar outra lã de textura correspondente. Paguei U$ 13,50 em cada novelo.

Usei um par de agulhas circulares tamanho 8. 

Para o acabamento escolhi 5 botões de madeira.

Segundo a minha guru-professora Joanna, este é um molde excelente para quem quer começar a tricotar blusas (vai gente! façam e me contem). Ele é tricotado inteiro, por isso usei a agulha circular. Comecei pela gola, passei para a raglan e segui o corpo. Mangas, frentes e costas não precisarão ser costurados, o tricô já resolve tudo por si só.

Boa sorte! Coragem! 
Vamos tricotar?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Hum! Prepara o coração, a barriga e o bolso: sorvetes, lãs e tecidos no Brooklyn!

Essa história começa com uma troca de likes no instagram. Sabem como é, né? De curtida em curtida a gente começa a seguir gente bacana e quando mal vê começou uma amizade! Tanta gente querida entrou na minha vida assim! 

Fiquei bem feliz quando eu e a Nellie, do Mama Peaches, acertamos um almoço para nos conhecermos pessoalmente. Local escolhido: Brooklyn_ a Mama domina a área! Parte legal: ela falou que seria perto do trabalho dela... onde? No  Brooklyn Farmacy, lugar que eu também já seguia no instagram e tinha uma curiosidade imensa de ir! 


                   


A história do restaurante é bem louca. O mobiliário e objetos são originais, antigos e faziam parte de uma farmácia (daí o nome!) dos anos 20. O lugar ficou fechado por mais de 30 anos. Lá dentro, tudo empoeirado e intocado. Até que em 2010 um empreendedor teve a feliz ideia de usar o espaço. Para americanizar o fato, ele participou do reality show do Discovery Channel Construction Intervention e em menos de uma semana a farmácia antiga virou o que a gente vê aí nas fotos. 


Tem cenário mais legal para um encontro de amigas virtuais? Olha aí eu e a Nellie felizonas!


Barriguinhas cheias de sorvetes e lá fomos nós rumo ao tesouro escondido nas ruas do Brooklyn... Ah! A pé mesmo porque eu tô muito novaiorquina...


Quando vi a fachada já pensei comigo: uau! Posso passar a tarde, a noite e a manhã do dia seguinte por aqui? Slogan do paraíso: LOVE IS IN THE MAKING. Nossa! A visita a Brooklyn General Store foi a continuação mais do que perfeita para aquele almoço.

                


A Brooklyn General Store tem uma história parecida com a da farmácia. Piso, prateleiras e móveis são da loja de variedades que foi aberta em 1937. Lá vendia roupa para crianças e adultos e produtos para casa, como roupa de cama, toalha, almofada. 


Entrei, respirei fundo e pensei: hum! Por onde começar? Até que a simpática vendedora anunciou: TUDO hoje está com 20% de desconto porque precisamos de espaço para as mercadorias novas que chegaram. Impossível resistir, hein?

Thank you, dear Mama Peach! The day was unforgettable. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O lado crafter de NYC: lojinhas de tecidos!

Ter New York ao lado de casa é algo que nunca apareceu nem nos meus sonhos mais lindos. Sou apaixonada pela cidade e desde muito pequena (minha mãe é testemunha dessa história) eu já dizia que um dia iria andar muito por lá.



Pois veja que hoje da porta da minha casinha até a Times Square, eu levo no máximo 4 horas. Ah! De ônibus. Dá até para chegar de trem, mas a estação é longe. Já para o ponto do ônibus, eu vou a pé. Parece portal mágico! Pego minha malinha, caminho 10 minutinhos, entro no busão e pah... Ó Manhattan aí, meu povo!



A cada viagem tento conhecer um pouco mais o lado crafter de NY. Dessa vez passei uma semana por lá e vi muita coisa bacana. Durante os próximos dias vou compartilhar aqui com vocês. Mas, vamos começar pelo que a gente mais gosta: TECIDOS, linhas, moldes. Ah! E lãs! Porque SIM, eu não sou mais a mesma desde que descobri o tricô.

Então! No primeiro dia o passeio foi no Brooklyn Bridge Park. Ah! Que vista. Uau! A temperatura estava perfeita... céu lindo, azulzinho! Depois da volta no parque peguei o metrô e segui para o Soho. Fica bem perto. Por acaso, acabou sendo uma ótima escolha de percurso.



A Purl Soho é meu oásis na loucura de NY! Entro lá e nem vejo o tempo passar. Não é um lojão, mas também não é uma lojinha. E tudo que está lá dentro foi selecionado a dedo por quem entende e gosta do assunto. Dá pra passar horas conversando com as vendedoras. Todas costuram, bordam, tricotam e sabem indicar tecidos, metragens e aviamentos na maior segurança. Olha, dessa vez, confesso: aluguei um monte as moças com mil perguntas e pedidos de ajuda. Elas foram ótimas e extremamente pacientes!

Como o movimento é grande, o estoque da Purl Soho se renova sempre. Aliás, fiquei bem feliz ao ver uma loja de materiais para artesanato cheia de gente em plena NY, onde há toneladas de opções prontas pra vender de tudo que a gente conseguir imaginar nessa vida. Um sinal: ainda tem gente que curte parar, escolher um projeto e se dedicar por dias e dias até ele ficar pronto_ seja um cachecol, uma blusa ou um vestido.



A loja tem muitos projetos desenvolvidos por lá mesmo. E daí vem a parte mais legal: as receitas, moldes e tutoriais ficam disponíveis DE GRAÇA no site deles. Acho isso uma estratégia gentil e certeira: quem resiste? Eu, pelo menos, sempre dou uma olhadinha nas novidades. E adorei poder ver pessoalmente e tocar nas bolsas, roupas e tricôs que eu já tinha namorado tantas vezes pessoalmente. Ah! E bisbilhotar o acabamento e reparar no avesso porque foi assim que dona Maria Antônia_ minha amada mãe_ me ensinou. 






Então, por hoje é isso. Volto ainda essa semana para mostrar outra pérola: uma loja de tecidos e lãs no Brooklyn de babar!

Beijo, fui!












terça-feira, 7 de junho de 2016

Branco traz paz! Mais um pouco do retiro de costura



Em um lugar tão incrível, eu não poderia deixar de tirar muitas fotos. Os dias em que passei hospedada no casarão construído em 1799, em uma fazenda no interior da Virginia foram a inspiração que faltava para eu voltar aos meus clicks. 

Que lugar! Uau! Era perceptível que a casa havia sido recentemente restaurada, mas os decoradores/ arquitetos souberam reaproveitar piso, janelões e alguns móveis e misturá-los com outros novos, mas com aspecto envelhecido. Tudo branco, bege, cinza claro. Minhas cores favoritas na decoração e no guarda roupa. 


Éramos 10 hóspedes e os 5 quartos eram diferentes. O meu ficava no sótão. Tinha o pé direito mais baixo, lareira, lustres antigos. Parecia casa de boneca. A iluminação natural era perfeita e tudo que eu pensava ao acordar era como seria bom passar um período mais longo ali com tempo suficiente para ler e tricotar.


Aproveitei o cenário para fotografar minha blusa recém costurada. O modelo é bem simples. O molde foi tirado do livro Everyday Style, da Lotta Jansdotter.  Taí um livro que vale cada centavinho desse dólar que tá pra matar! Os projetos são simples, rápidos, mas estilosos. No livro vem os moldes e as explicações para um vestido, uma calça, uma saia, um casaco e 4 bolsas. Todos acessíveis para iniciantes.



A blusa Esme tem mangas 3/4 e decote quase canoa. Escolhi um algodão branco com pássaros dourados. Tecido baratinho (menos de 5 dólares) comprado na Joann. Gostei do resultado e pretendo fazer outras, mas optarei por tecidos com caimento mais fluido, como voile.




quinta-feira, 26 de maio de 2016

Um sonho chamado retiro de costura!


Há anos eu pesquisava sobre os encontros de costura que são tradição nos Estados Unidos. Gente! Perdi as contas de quantas horas naveguei pela internet babando nas fotos das aulas em hotéis, fazendas e resorts. Um sonho até então bem distante da minha realidade. Quando me mudei, ressuscitei a ideia e pensei comigo: agora vai! Só não achei que fosse acontecer tão rápido porque normalmente esses encontros são agendados e fechados com longos meses de antecedência! 



Assim que fiz a inscrição (quase 3 meses antes do evento) fiquei empolgadíssima! De olho no calendário! Mas a medida que os dias foram passando comecei a ficar preocupada em como seria dividir uma casa com estranhas. Mal sabia eu a belezura da casa que nos esperava e que as estranhas eram ladies muito animadas e divertidas! 

O retiro foi organizado pela The Finch Sewing Studio , loja/ ateliê de costura e tricô que fica em Leesburg, na Virginia. Chegamos na sexta-feira à tarde. Fomos recebidas ainda no carro pelas finchettes (como eles chamam as funcionárias e professoras da loja) com um coquetel pra já quebrar o gelo e entrar no clima relax. 

A propriedade fica na área rural da Virginia. OMG! Um casarão antigo, restaurado e muito bem decorado. Cada quarto tinha uma cara. Todos eles de cair o queixo! Hum! Camas macias e roupa de cama de primeira, afinal se tratava de um retiro e deveríamos descansar. Não é mesmo?


Depois de conhecer nossas acomodações e guardar as malas, nos reunimos na varanda. Papo vai, papo vem e conversamos sobre moldes, projetos, tecidos, lãs e tudo que está dentro do universo artesanal. Anoiteceu, tomamos uma sopa e fomos para a sala bater papo, bordar e tricotar _fomos avisadas com antecedência que deveríamos levar algum trabalho manual. O grupo era pequeno: apenas 10 alunas.

Sábado chegou e todas nós madrugamos sem despertador. Amanheceu um dia ensolarado e a casa ficou cheia de energia boa. Café da manhã tomado, hora de costurar!!! A proposta era fazermos bolsas e aprendermos a trabalhar com couro. Cada uma podia escolher o molde que quisesse e as professoras estavam lá, prontas para tirar as nossas dúvidas e nos socorrer! Ao longo do dia ocorreram aulas curtinhas. Uma delas para entendermos como cortar, costurar e dar estrutura ao couro. Uau! Um show de novidades na minha vidinha costurística. Aprendi muito! 








No fim da tarde de sábado, mais uma aula. Hum! Mas dessa vez nada de linhas, nem agulhas! A Nicole falou sobre diferentes tipos de vinhos.



 Enquanto a degustação de vinhos acontecia caiu uma chuva daquelas! Encerramento perfeito para um dia que parecia mágico. Fechei os olhos e agradeci pela oportunidade de estar ali.

No domingo ainda teve mais costura e uma aula de yoga antes de voltarmos para casa. No fim, lá fui eu encarar a estrada de bolsa nova, recém costurada, reabastecida de inspiração, novos conhecimentos e criatividade para recomeçar minha trajetória na costura. 


* Nos próximos posts mostrarei mais um pouco desse casarão dos sonhos e outros projetos. Tem um moletom quentinho e uma blusa romântica. Espero encontrar vocês aqui de novo.

domingo, 22 de maio de 2016

De volta! Eu mudei...

                          


 

Depois de um breve período ausente, reapareci. Esperei estar inteiramente recuperada até voltar a fotografar, registrar como anda a vida e compartilhar minhas conquistas no mundo das costuras. 

Dessa vez, escrevo de longe. Estou em um novo quarto de costura, uma nova casa e um novo país. Com tanta novidade eu precisava mesmo de um tempo até a poeira baixar e eu me sentir suficientemente confortável para estar aqui. 

Muita coisa aconteceu desde novembro de 2015. Eu e minha amada família embarcamos numa grande aventura que exigiu trabalho, desapegos (do sol, louças e tecidos ao emprego) e coragem de enfrentar mudanças internas e externas. Mudanças assustam. Não são fáceis. Eu sempre tinha morado em Brasília e apesar de acumular milhagens mundo afora, nunca tinha arrumado as malas para viver em outro país. Quer dizer, mais nova tive as abençoadas oportunidades_ graças aos meus pais_ de estudar nos Estados Unidos e na França. Mas, morar pra valer, alugar casa, fazer supermercado, cancelar assinatura de jornal e trocar endereços foi a primeira vez.

Chegamos 2 dias depois do Natal. Meio mundo comemorando reveillon e a gente cheio de dúvidas e ansiedade em um quarto de hotel. Num inverno pra lá de rigoroso, vivemos uma sinergia familiar deliciosa. Eu, Juliano, Lucas e Alice dividimos com calma, pensamento positivo e amor cada minuto dessa fase. Uma semana depois de aterrissar no aeroporto de Washington DC, já estávamos na nossa casinha. E olha, quando eu digo casinha, não estou me referindo apenas carinhosamente. Abrimos mão de uma casona super confortável com piscina e jardim para viver nosso american dream numa townhouse _ jeito metido a chique para falar de uma casa geminada de dois quartos.  Pequena, mas muito charmosa! E que nos dá muito orgulho.  

Só agora começamos a sentir uma pontinha de estabilidade. Sabemos onde fica o supermercado, onde cortar o cabelo das crianças, onde ficam os armarinhos e as lojas de tecidos (opa! Informação importante, hein?). Juliano segue firme em busca de notícias e fontes em seu trabalho jornalístico, Lucas fez amigos e está indo bem na escola gringa, Alice ainda chora porque não entende a professora; enquanto eu cumpro meu desafio de aprender a cuidar da casa (assunto para outro dia!), aperfeiçoar meu inglês e me dedicar às minhas eternas pesquisas costurísticas. 

Mudamos de país pela oportunidade de trabalho e também pela chance de oferecer aos nossos filhos um novo olhar sobre o mundo. Hoje vejo que além disso, há ainda a possibilidade de alcançarmos um novo olhar sobre nós mesmos. Afinal, estamos distantes da família, dos amigos, dos colegas de trabalho e dos julgamentos das pessoas que nos amam e daquelas que não gostam da gente também (porque sempre tem, ne?). 

São só 6 meses, mas nesse período já sinto que MUDEI. A luta para que a mudança seja para melhor é diária. E quem disse que seria fácil?